Joana de Moura

Chapéus há muitos, seu palerma!

Hateful Eight

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O Tarantino é um amor antigo.

Vi o “Pulp Fiction” quando era catraia e lembro-me de ficar embasbacada na cena em que a Uma Thurman levava com a agulha em cheio no coração. Lembro-me do Travolta rebentar a cabeça ao passageiro do banco de trás do carro. Lembro-me da cena final do dinner, em que um diálogo magistral se uniu a actores fenomenais. Tarantino para mim é isto, é cinema que nós nem percebemos onde nos leva e quando damos por nós já lá estamos.

“Hateful Eight” não está ao nível de “Pulp Fiction”, muito menos está ao nível de “Inglourious Basterds” (que para mim é a obra prima de Quentin e um dos melhores filmes que já vi), mas convenhamos senhores, está muito bom! Está para lá de muito bom (ou de pelo menos o “bom” a que nos têm habituado com filmezecos de caracacá).

Falemos de actores: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Tim Roth (que para quem não se lembra é o assaltante do dinner na cena final do “Pulp Fiction”), Walton Goggins, Jennifer Jason Leigh, entre outros grandes. Todos bons actores, com nada a provar e que mesmo assim conseguiram surpreender-me por tão bem fazerem-me acreditar que as personagens existiam numa qualquer realidade paralela. O Samuel esteve igual a si mesmo (grande em todos os sentidos possíveis) e a Jennifer conseguiu o chamado “papelão”. Não esperava uma actuação tão perfeita da parte dela, sem dúvida uma óptima surpresa.

Entretanto há a parte: ONDE RAIO ESTAVA O TARANTINO?! Como toda a gente sabe, o Tarantino tem a mania de entrar nos próprios filmes. Representa pequenos papéis ou faz pequenas aparições. Infelizmente neste eu não o consegui descobrir e passei o filme todo a achar que ele era uma das personagens. Primeiro achei que o cowboy do canto era ele, afinal era o Michael Madsen. Depois achei que ele era o mexicano da barba, afinal era o Demián Bichir. Até o Channing eu achei que era o Tarantino disfarçado. Ou seja, neste filme imperaram as surpresas/indagações.

De forma geral julgo que é um muito bom filme. Não pode ser posto no mesmo patamar de outros do mesmo realizador mas não é por isso que deixa de ser um bom filme. Dei-me ao trabalho de ir ao cinema no dia de estreia, e depois de o ter visto, iria novamente se fosse caso disso. Bons actores, boa história, boas interpretações, boa “malha”.

Se ele realmente vai só fazer mais dois filmes, é bom que sejam pelo menos do nível a que nos acostumou, porque eu vou entrar em depressão quando já não tiver mais nenhum filme dele para ver.

Até ao próximo filme!

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Joana Moura • 24 Fevereiro, 2016


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